Somos Editora

Categorias



Autores

clarindo

Clarindo dos Santos

Aeronáutica

nelson

Nelson de Souza Taveira

Aeronáutica

Miguel

Miguel von Behr

Biomas

imprensa

Neide Pereira Pinto

Infantojuvenil

cabral

Luiz Fernando Cabral

Aeronáutica

maceioka

Fernanda Britto

Meio Ambiente

sergio

Kibo

Quadrinhos - Vida de Cachorro

Faro

Irenio de Faro

História e Cultura



Blog

Autores & Convidados

Faro

Irenio de Faro

A mulher também se destacou na Aviação. Como as aviadoras cujos miniperfis estamos focalizando na Série IV deste seriado: Jacqueline Auriol (França), Thea Rasche (Alemanha).

JACQUELINE AURIOL - França

Jacqueline Auriol ( 5 novembro de  1917 — 11 de fevereiro de 2000) (foto) foi uma aviadora francesa  que se especializou  em ensaios em voo.

Em 1951, aos 34 anos, começou a trabalhar como piloto de provas.  Dois anos depois, pilotando um caça Mystère II, Jacqueline rompeu a barreira do som.

Por mais de  vinte anos, ela não parou de bater recordes de velocidade, e isso lhe valeu o título de ‘a mulher mais rápida do mundo’. Um de seus recordes foi, em 1963, atingir  a velocidade de 2.038 quilômetros por hora a bordo de um caça Mirage.

Jacqueline Marie-Thérèse Suzanne Douet  nascida  em ChallansVendée, na França, filha de um abastado construtor de navios, formou-se na Universidade de Nantes e em seguida estudou Belas Artes na École du Louvre, em Paris.

Em 1938 casou-se com Paul Auriol, filho de Vincent Auriol,  futuro presidente da França e durante a II Guerra Mundial trabalhou a serviço da Resistência  contra a ocupação alemã.

Jacqueline tomou aulas de pilotagem aérea  em 1946, brevetou-se em 1948 e passou a se dedicar a exibições e  testes em voo.

Para seu infortúnio, sofreu um sério acidente aéreo,  em 1949, como passageira, fraturando vários ossos do rosto, em decorrência do que passou quase três anos hospitalizada para reconstrução óssea, submetendo-se a 33 cirurgias.

A fim de passar o tempo, estudou Álgebra, Trigonometria e Aerodinâmica, matérias essenciais para obtenção de uma licença avançada de voo, conquistada finalmente em 1950, sendo a primeira mulher, no mundo, licenciada  em  ensaios em voo.

Foi também a primeira mulher a romper a barreira do som e a estabelecer, entre as décadas de 1950 e 1960, cinco recordes mundiais de velocidade.

Durante vinte anos a serviço da Aviação, Jacqueline Auriol  totalizou 5.000 horas de voo, 2.000 das quais em testes e ensaios em mais de 140 diferentes aviões e helicópteros tais como Mystère II e IV, Super-Mystère B-2, Mirage III, Vautour, Breguet Alizé, Gerfaut II, Caravelle e Concorde.

Sua paixão pelo voo foi exposta  numa autobiografia intitulada I Live to Fly (Vivo para Voar), publicada em Francês e Inglês.

Jacqueline e o marido se divorciaram em 1967, se recasaram em 1987 e juntos tiveram dois filhos.  Em 1983 participou, como fundadora da Académie de l’Air et de l’Espace.

Jacqueline Auriol faleceu em  11 de fevereiro de 2000, de causas desconhecidas, com a idade de 82 anos.

Em 22 de junho de 1962, Jacqueline Auriol estabeleceu seu quinto recorde mundial de velocidade no ar.  Pilotando um Mirage IIIC, em  Istres (França) e voando a uma altitude de  37. 000 pés (11.2776 m), Jacqueline Auriol cobriu mais de  63 miles (101 km) em 3 minutes e 23 segundos,  registrando uma velocidade  de 1149.65 mph  (513.939536 m / s). A aviadora francesa foi uma das poucas mulheres a piloltar o supersônico comercial Concorde.

Fotos acima de Jacqueline Auriol preparando-se para voar.

Jacqueline Auriol foi a primeira mulher, no mundo, a receber certificado de piloto de ensaios em voo. Jacqueline pilotou também helicópteros.  A convite do fabricante americano Bell, a aviadora francesa tomou aulas em Fort Worth, no Estado do Texas, EUA.

Jacqueline Auriol, no centro,  é homenageada em 11 de maio de 1951 após bater recorde de velocidade num jato Vampire (818,1 km/h).

I  Live to Fly (Vivo para Voar), autobiografia. Livro editado em 1970 por E.P. Dutton & Co -  Nova  York (EUA).

THEA RASCHE - Alemanha

Thea Rasche (Unna, 12 agosto 1889 – Essen, 25 fevereiro 1971) (foto) foi um misto de jornalista e aviadora, na verdade a mais famosa aeronauta alemã de todos os tempos.

Após conquistar sua licença de pilotagem, em 1925, Thea passou a fazer exibições de acrobacias aéreas, granjeando prestígio imediato.  Seu primeiro instrutor foi Paul Baumer, de Hamburgo, que lhe ensinou os truques e segredos do gênero.

Segundo a mídia impressa da época, Thea se apresentou várias vezes com os celebrados pilotos Udel e Fieseler, executando sensacionais números de grande arrojo.  No Grande Festival Aeronáutico de Berlim, em 1926, foi a única mulher presente, num grupo de 35 pilotos.

Em1927, no Torneio Anual de Essen/Mulheim, para acrobatas aéreos de ambos os sexos, ganhou o primeiro lugar entre as mulheres e o segundo, no geral, razão pela qual foi convidada a se exibir em Paris.

Os maiores triunfos de Thea ocorreram fora da Alemanha, notadamente nos Estados Unidos, em cinco oportunidades entre os anos de 1927 e 1928.  Num destes certames, pilotando uma aeronave Gipsy Moth, no chamado Derby Aéreo Feminino, através do País, voou cerca de 5.200 km entre Los Angeles e Cleveland.

Consta também que, numa de suas façanhas, teria voado por baixo da Ponte do Brooklyn, em Nova York.

A aviadora faleceu na Alemanha, em 25 de fevereiro de 1971 com 82 anos.

Thea (E) em companhia das também aviadoras Lisel Bach e  Elly Beinhorn, em 1932.

Uma de duas aeronaves Udet U-12 Flamingo adquiridas por Thea , a primeira em 1925.

Fontes:

  1. ^ Martin, Douglas (February 17, 2000). “Jacqueline Auriol, Top French Test Pilot, 82″The New York Times.
  2. ^ Trenner, Patricia (March 1, 2003). “10 Great Pilots”Air & Space Magazine (Smithsonian Institution).
  3. ^ “ORDRE NATIONAL DU MERITE Décret du 14 mai 1997 portant promotion et nomination”JORF 1997 (112): 7299. 1997-05-15. PREX9700000D. Retrieved 2009-04-05.
  4. ^ Gathering of Eagles Program
  5. ^ “FR043.03″Universal Postal Union. Retrieved 2011-01-21.

___________________________________________________________

Conheça a nossa linha de literatura infantil aqui!


1 comentário - Comente este post


Faro

Irenio de Faro

A noite de 24 de janeiro de 2013, em São Bernardo do Campo (SP), marcou a colação de grau da turma de 2009  de Rádio, TV e Internet. Segundo mentores da Universidade Metodista de São Paulo,  foi esta a primeira vez que a Internet, como disciplina,  foi anexada ao currículo escolar, o que se justifica pela importância que esse recurso eletrônico adquiriu junto à população.

A Metodista é, atualmente, um paradigma nesse tipo de curso de Terceiro Grau. De acordo com a Universidade, “(…) em estúdios montados com os equipamentos mais usados no mercado, os estudantes têm a oportunidade de dominar as tecnologias , seja por meio das aulas ou das oportunidades de estágios oferecidas na Agência de Comunicação Metodista (…)“.

A aluna Bruna Freitas Faro, neta do jornalista Irênio de Faro, um dos convidados do blog da Somos Editora foi uma das formandas.  Bruna tem em sua bagagem estudantil, um elemento de grande valor:  foi o único participante da turma de 2009 escolhido para realizar o penúltimo semestre do Curso na Universidade de Burgos, na Espanha, com todas as despesas  pagas, mediante convênio entre as duas instituições de ensino, tarefa cumprida entre janeiro e julho de 2012.

1 comentário - Comente este post


Faro

Irenio de Faro

A mulher também se destacou na Aviação.  Focalizamos neste capítulo, a brasileira Ada Rogato e sua trepidante e fascinante  vida como aviadora pioneira.


ADA LEDA ROGATO – Brasil

Filha única do casal paulistano Maria Rosa Greco e Guglielmo Rogato, de descendência italiana, Ada Leda Rogato (foto), mais conhecida como Ada Rogato (São Paulo22 de dezem-bro de 1910 – São Paulo, 15 de novem-bro de 1986) destacou-se como pioneira da Aviação brasileira.
Foi a primeira mulher no Brasil a obter licença como paraquedista, a primeira volovelista (piloto de planador) e a terceira a se brevetar em comando de aviões (1935) . Também se notabilizou por acrobacias aéreas e foi a primeira a pilotar aeronaves agrícolas no País. Voando em aeronaves de pequeno porte e — ao contrário de outras famosas aviadoras — sempre sozinha, a fama nacional e internacional cresceu a partir dos anos 1950, graças à ousadia cada vez maior de suas proezas.

Este exemplar apelidado de ‘Brasil’, trata-se de um monomotor biplace produzido pela indústria americana Cessna Aircraft Co.  Em 1950, o então ministro da Aeronáutica presenteou Ada Rogato com essa aeronave,   com a qual ela recebeu o título de Pioneira das Américas por seu primeiro voo solo. A seguir, dados técnicos da aeronave:

  • utilização: civil
  • comprimento: 6,58 m
  • envergadura: 10,01 m
  • peso vazio: 450 kg
  • peso máximo: 680 kg
  • número de lugares: 2
  • velocidade máxima: 225 km/h
  • velocidade de cruzeiro: 185 km/h
  • exemplar fabricado em: 1949
  • fabricante (montadora): Cessna Aircraft Company
  • local de montagem: EUA
  • fabricante do motor: Continental Motors
  • local de montagem do motor: EUA
  • características do motor: Continental C-90F, 4 cilindros opostos, 90 hp a 2.400 rpm

Destaques e feitos notáveis de Ada Leda Rogato:

— A primeira piloto brasileira a atravessar os Andes; feito realizado por onze vezes, ida e volta, em 1950;

— A única aviadora do mundo, até 1951, a cobrir uma extensão de 51.064 km em voo solitário pelas três Américas, chegando até o Alasca; o trajeto levou aproximadamente 6 meses;

— A primeira a atingir o aeroporto de La Paz, na Bolí-via, o mais alto do mundo até então (1952), com um avião de apenas 90 HP – feito inédito na história da aviação boliviana;

— O primeiro piloto, homem ou mulher, a cruzar a selva amazônica — o temido ‘inferno verde’, em um pequeno   avião do tipo teco-teco  — em voo solitário  e confiando apenas numa bússola (1956);

— A primeira aviadora a chegar sozinha à Terra do Fogo, no extremo sul do nosso continente (1960);

— Detém o brevê número um de primeira paraquedista, entre homens e mulheres; e foi a primeira mulher no mundo a saltar de um helicóptero, realizando 105 saltos; e a primeira paraquedista das Américas;

— A primeira mulher a receber a Comenda Nacional de Mérito Aeronáutico, no grau de Cavalheiro, a Comenda Asas da Força Aérea Brasileira e o título de Honoris Causa outorgado pela FAB;

— Realizou mais de mil ‘voos de coqueluche porque se acreditava, na época,  que a altitude matava  o vírus da moléstia;

— A primeira a pousar em Brasília, quando a capital do País ainda estava em construção;

— Ada Leda Rogato foi pioneira, no Brasil, em 1943, em paraquedismo e em 1948, na mesma modalidade, no Estado de São Paulo.  Tem mais: nesse mesmo ano iniciou-se também como piloto da Aviação Agrícola, onde igualmente pousou no terreno do pioneirismo.  Pouco depois, em 1950, valendo-se de seu notável reide por quatro países sul-americanos, exibiu-se como competente paraquedista e foi  a primeira mulher a saltar em Chile e Paraguai.

Sucesso e sacrifícios:

Filha única do casal Maria Rosa Greco e Guglielmo Rogato, Ada recebeu dos pais, imigrantes italianos, o mesmo tipo de educação da época, na qual as mocinhas eram preparadas para o casamento, recebendo inclusive aulas extras de pintura e piano.  O problema era que se sentia fascinada com o voo, objetivo que não abandonou mesmo quando os pais se separaram e ela precisou executar trabalhos de bordado e artesanatos diversos, a fim de se manter.

Ada L. Rogato ao lado da aeronave ‘Paulistinha’ apelidada de  ‘Gafanhoto’ por Henrique da Rocha Lima

Economizando ao máximo, Ada conseguiu juntar dinheiro para aulas de pilotagem e assim, em 1935, conquistava seu primei-ro brevê feminino de voo à vela e, no ano seguinte, o primeiro brevê de voo outorgado a uma mulher pelo Ae-roclube  de São Paulo.   Como complemento, em decorrência de um curso de paraquedismo, no Campo de Marte, em 1941, ganhou também a licença de paraquedista, na verdade, o primeiro certificado, no gênero, concedido a uma brasileira.

Ada em seu traje de voo

Dedicada à Aviação Esportiva, Ada passou a se exibir com acrobacias aéreas e saltos de paraquedas, a fim de atrair público para eventos aviatórios programados para as capitais e aeroclubes localizados no interior de São Paulo e de outros Estados.  Segundo seus historiadores, durante a Segunda Guerra Mundial, Ada realizou voluntariamente 213 voos de patrulhamento aéreo do litoral paulista. E finalmente, em 1948, quando se intensificou o combate à broca-do-café — praga que ameaçava as plantações do principal produto brasileiro de exportação —, Ada começou a trabalhar na Aviação Agrícola em atividades de polvilhamento aéreo.

Ainda durante a Segunda Guerra Mundial, Ada Rogato realizou demonstrações de paraquedismo na Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro, destacando-se na ocasião com um salto noturno.  Por todos esses feitos, Ada passou a ser chamada, pela mídia, de Milionária do ar, Gaivota solitária e Pássaro solitário.

Reconhecimento

A vida de Ada Leda Rogato foi sempre difícil.   Solteira, arranjou em 1940 um emprego de escriturária no Instituto Biológico, órgão estadual vinculado à Secretaria da Agricultura, e aposentou-se em 1980, como chefe de seção técnica da Secretaria de Esportes e Turismo. Nos anos 1950, foi redatora de aviação da Revista dos Aviadores e da revista Velocidade.

Apesar de modesta e discreta, Ada recebeu, como já vimos, da mídia brasileira, em 1950, os títulos de Milionária do Ar, Águia Paulista, Rainha dos Céus do Brasil e Gaivota  Solitária e da revista chilena Margarita, o apelido de Condor dos Andes.

A jornalista paulista Lucita Briza (foto à Direita) lançou seu livro ‘Ada – Mulher, Pioneira, Aviadora’ em 30 de abril de 2011 na Livraria Cultura, do Shopping Villa-Lobos, pela C&R Editorial, em São Paulo.  Lucita não se conformava com o fato de Ada Rogato ter caído tão rapidamente no esquecimento do povo brasileiro, daí a ideia de redigir sua biografia, com um alentado volume de 300 páginas, cuja capa se vê ao lado.

Comentário do jornalista Roger Marzochi, da Agência Estado, em 18 de março de 2011, sobre o livro de Lucita Briza que retratou a vida da aviadora  Ada Rogato:

“O trabalho de reportagem começou em 2005, com grande esforço para encontrar pessoas ligadas à aviadora, que nunca se casou, não teve filhos e rompera os laços familiares quando jovem. Seu pai, Guglielmo Rogato, imigrante italiano que se fez homem importante em Alagoas e tem até duas ruas com seu nome, quis impedir a carreira da moça. Fora as fontes oficiais de informação, a jornalista só conseguiu se aproximar mais da vida da aviadora ao encontrar Neide Bibiano, em São Paulo. Amiga de Ada, amparando-a até a morte, foi ela que saiu em busca dos parentes da aviadora antes que a aviadora morresse, de câncer no útero. “O contato com a Neide fez com que as coisas começassem a tomar vulto na minha cabeça. Essa mulher foi meu guia para conseguir mais informações.”

“Lucita também viajou para o Uruguai, Argentina e Chile para entrevistar pessoas que tiveram contato com a aviadora em suas viagens. “Depois da morte dela, esse esquecimento brutal. E eu não me conformava. “Ela tinha boas relações com homens e mulheres, menos com a Anésia”, lembra, citando Anésia Pinheiro Machado, a segunda mulher que conseguira um brevê. A primeira foi Thereza de Marzo, em 1922.”

“Eu sempre quis escrever um livro sobre uma mulher a frente do seu tempo.” Lucita corrigiu essa lacuna, num livro de 300 páginas.”

Dentre centenas de troféus e condecorações, foi a primeira aviadora a receber no Brasil a Comenda Nacional do Mérito Aeronáutico, no grau de Cavaleiro, e ainda as Asas da Força Aérea Brasileira e o título de Piloto Honoris Causa da FAB; também no grau de Cavaleiro, recebeu na Bolívia a Condor dos Andes; no Chile, foi condecorada com a Bernardo O’Higgins no grau de Oficial e na Colômbia com as Asas da Força Aérea Colombiana, primeira comenda entregue no País a uma aviadora. Em 1954, recebeu da Federação Aeronáutica Internacional, sediada na França, o diploma Paul Tissandier por seus méritos na aviação.

Divulgação

Em 1956, em comemoração ao Cinquentenário do 1º voo do 14-bis, de Santos-Dumont, realizou um reide especial, por todo o Brasil, com a dupla finalidade de divulgar os méritos do inventor, distribuindo farto material de divulgação, e transportando uma imagem de  Nossa Senhora Aparecida em peregrinação aérea.

Na ocasião Ada percorreu 25.057 km, em 163 horas de voo, com seu Cessna sobrevoando áreas pouco exploradas do Centro-Oeste, pousando em campos de pouso recém-abertos na mata e visitando várias aldeias indígenas. Foi mais uma vez pioneira ao atravessar sozinha, num pequeno avião a selva amazônica.

O Cessna (foto) usado por Ada Rogato pode ser visto em exposição no Museu da TAM em São Carlos, (SP) num espaço consagrado à aviadora brasileira.

Ada Rogato e seu inseparável monomotor Cessna 140 (foto).  Apesar de suas inúmeras conquistas, chegando ao Círculo Ártico e explorando a Amazônia, Ada não estava satisfeita: faltava ainda alguma coisa. Eis porque, em 1960, empreendeu uma viagem a Ushuaia, na Terra do Fogo (Argentina), a cidade mais austral do mundo.  Registrava-se, assim, como a primeira aviadora a realizar tamanho feito. Ela e ‘Brasil’, sua aeronave Cessna, somente pararam de voar, quando Ada Rogato não conseguiu obter um avião mais potente, a fim de aprofundar seus recordes.

Como membro da comissão do Cinquentenário do 14-bis, a aviadora passou posteriormente a fazer parte da Fundação Santos-Dumont (FSD), destinada a cuidar do acervo do inventor e apoiar o desenvolvimento da aeronáutica. Como dirigente dessa entidade — da qual foi sucessivamente conselheira, secretária e presidente —, Ada recepcionava os visitantes mais ilustres do Museu da Aeronáutica da FSD (o primeiro da América do Sul), ao qual doou o seu ‘Brasil’. Entre esses visitantes, contam-se vários astronautas norte-americanos —incluindo Neil Armstrong, que antes de se tornar o primeiro homem a pisar na Lua, conheceu ali a aviadora e seu avião e a elogiou por suas façanhas. Ao morrer em 1986, Ada ainda era diretora do Museu que abrigava o seu inseparável ‘Brasil’.

Ada Rogato foi recebida com carinho no Chile, ocasião em que o jornalista chileno Alarcón Carrrasco produziu um excelente artigo sobre ela, cujo resumo se segue:

Ada Rogato: El Cóndor Solitario

Brasilera fue la primera mujer que saltó en paracaídas en Chile.

“Un día del mes de abril de 1950, la selva virgen del sector Puyehue se vio alterada por el suave ronronear del pequeño motor de un avión que se desplazaba plácidamente a través de la cordillera majestuosa, todavía descubierta de los blancos penachos que en invierno cubren de nieve las alturas.”

“(…) En la cabina, la invasora, junto con consultar su mapa y mantener el control de la máquina aérea enfilaba rectamente a la ciudad de Osorno, primera escala en nuestro suelo. Se trataba nada menos que de la famosa aviadora brasileña Ada Rogato, más conocida como ‘El Cóndor Solitario’, que en su pequeño avión ‘Paulistinha’, conocido como ‘Brasilerito’ de tan solo 65 HP y que sólo alcanzaba una velocidad de 110 kmts.; realizaba un raid de buena vecindad por Paraguay, Uruguay, Argentina y Chile.”

“(…) Al año siguiente obtiene su título de piloto aviador de turismo, volando aviones Stinson, Waco, Curtiss, Fairchild y por supuesto los aviones de fabricación brasilera denominados Muniz 7, Muniz 9, Bucker y H.L.6, habiendo volado además varias veces como piloto de prueba de aviones livianos de construidos en su país.”

“(…) Cuando llegó a Chile por primera vez, ya tenía más de dos mil horas de vuelo, pero otra de las aficiones que llevaba a flor de piel era el paracaidismo, en cuyo deporte registraba más de 80 saltos, siendo campeona brasilera de esta especialidad.”

“(…) Una de sus mayores cartas de presentación lo constituía el salto nocturno en paracaídas, realizado el 19 de abril de 1942, en Río de Janeiro y en cuyo acto estuvo presente el presidente de Brasil Getulio Vargas”.


Ada en Chile

“(…) Fue recibida en La Moneda por el presidente Gabriel González Videla, quien con su natural bonhomía no dejó de sorprenderse por recibir a tan valiente exponente de la raza y el pueblo brasilero. No podía faltar una visita al Club de Planeadores de Santiago, donde aparte de ser muy bien recibida por el directorio y socios de la entidad, fue instada a improvisar una charla sobre el vuelo a vela, disertación que permitió a los presentes aquilatar su gran dominio de esta rama de la aeronáutica”.

Dos saltos para nuestra historia

“(…) Dicen las crónicas de la época que una gran cantidad de gente se reunió en Los Cerrillos la tarde del 15 de abril de 1950, para ver la novedad del deporte del paracaidismo, que en esos años era practicado en nuestro país sólo por la Fuerza Aérea con fines netamente militares(…)”

“(…) piloteado por Aladino Azzari, Ada Rogato alzó el vuelo desde el costado oriente de la pista, y luego de tomar unos quinientos metros de altura, la aviatriz y paracaidista se lanzó en pos de la libertad del cielo chileno que la recibió glorioso durante los escasos segundos que duró su hazaña. Luego de descender unos 80 metros abrió otro paracaídas, para frenar el impulso inicial y antes de tocar tierra se abría un tercero, pequeñito, que ostentaba las banderas de Chile y Brasil, significativo y delicado gesto de confraternidad aérea que fue calurosamente aplaudido por la concurrencia. Al día siguiente se realizó su segundo y último salto en tierras chilenas, con el que completó 87 saltos en su carrera deportiva, cifra bastante alta para una mujer (…)”

Homenagens

— Em vida, Ada Rogato foi amplamente reconhecida e homenageada pelo talento, coragem, ousadia e pioneirismo.

— Em 1984 foi lançado o filme de curta metragem Folguedos no Firmamento (direção: Regina Rheda), sobre os feitos de Ada Rogato; esse filme foi exibido durante cinco anos em cinemas de todo o Brasil. Poucos anos após a morte de Ada Rogato, o Museu da Aeronáutica foi fechado e o acervo se dispersou ao ser removido do espaço que ocupava no Parque Ibirapuera (São Paulo).

— Algumas referências públicas à aviadora estão em uma praça na cidade de São Paulo e em uma rua de Ribeirão Preto (SP) que levam seu nome.

— Atualmente o ‘Cessna 140-A’ ‘Brasil’ encontra-se exposto ao público no Museu TAM, localizado em São Carlos-SP.

— Outro registro histórico em homenagem a Ada Rogato foi prestado em 1951: ao bater o recorde de voo solo, percorrendo os 51.064 quilômetros entre a Terra do Fogo e o Alasca, em apenas 326 horas, foi homenageada com o lançamento de uma aguardente registrada com o nome de  a Voadora.

— Em outra homenagem póstuma (8 de março de 2000), os Correios do Brasil lançaram selos postais estampando as mulheres pioneiras da aviação brasileira, sob o tema ‘Mulheres Aviadoras’, um carimbo postal e um selo comemorativo dos 50 anos do primeiro sobrevoo dos Andes por Ada com seu ‘Brasileirinho’, um avião CAP-4 Paulistinha de apenas 65 HP.

— Em 1986 Ada fez parte da Fundação Santos Dumont assumindo sucessivamente os cargos de conselheira, secretária e presidente, e posteriormente o de diretora do Museu da Aeronáutica da própria fundação .

— Ada Rogato faleceu em São Paulo, vítima de câncer, em 15 de novembro de 1986, aos 76 anos; o corpo foi velado no Museu da Aeronáutica, com o cortejo acompanhado pela Esquadrilha da Fumaça.

Temperamento

Os biógrafos de Ada destacam duas características da personalidade da aviadora:

—  Apesar de o nome Leda constar de seu registro civil, Ada o detestava e evitava usá-lo sempre que possível.

— Ada Rogato  era simpática, agradável e se relacionava bem com todo mundo, exceto com sua  rival, a também aviadora Anésia  Pinheiro  Machado ,  de quem era inimiga.

Bibliografia

— SOUZA, José Garcia de.  A Verdadeira História da Aeronáutica. Vol. II, 1944.

— TAPIA, Amalia Villa de la (Aviadora boliviana).  Alas de la Bolivia.

— BRASIL, Aeroclube do. Relação nominal dos portadores do brevê de piloto-amador internacional (FAI). 1951

— PEREIRA, Cap. Aldo.  Breve História da Aviação Comercial. 1987.

— INCAER.  História Geral da Aeronáutica Brasileira. Vol. II. 1990.

— BALTHAZAR, Cap.  Lúcia  Lúpia Pinel.  Voo Proibido – Os apuros de uma Pioneira.2008.

— MOSCROP, Liz et RAMPAL, Sanjay. The 100 greatest women in aviation.  2008.

— BRIZA, Lucita. Ada – Mul her, pioneira, aviadora.  C&R Editorial. S Paulo. 2011.

— BITTENCOURT , Adalzira.A Mulher Paulista na História. Rio de Janeiro:Livros de Portugal.

PINHEIRO, Carlos dos Santos. Aviadoras Pioneiras. Rio de Janeiro, 2003

DUMONT, Cosme Degenar. Asas do Brasil: Uma História que Voa pelo Mundo.

Editora de Cultura, São Paulo, 2004.

Registros:

A jornalista paulista Lucita Briza  (foto à Direita)  lançou  seu livro ‘Ada – Mulher, Pioneira, Aviadora’ em 30 de abril  de 2011 na Livraria Cultura, do Shopping Villa-Lobos, pela C&R Ediorial, em São Paulo.  Lucita  não se conformava com o fato de Ada Rogato ter caído tão rapidamente  no  esquecimento do  povo brasileiro, daí a ideia de redigir sua biografia, com um alentado volume de 300 páginas, cuja capa se vê ao lado.

Ada L. Rogato ao lado da aeronave ‘Paulistinha’ apelidada de  ‘Gafanhoto’ por Henrique da Rocha Lima

Homenageada pelos Correios, com a emissão de um selo postal comemorativo

Ada em trajes  de voo. A única aviadora do mundo, até 1951, a cobrir uma extensão de 51.064 km em voo solo pelas três Américas, chegando até o Alasca; o giro levou aproximadamente seis meses.

O Cessna (foto) usado por Ada Rogato pode ser visto em exposição no Museu da TAM em São Carlos, num espaço consagrado à aviadora brasileira.

Ada Rogato e seu inseparável monomotor Cessna 140 (foto).  Apesar de suas inúmeras conquistas, chegando ao Círculo Ártico e explorando a Amazônia, Ada não estava satisfeita: faltava ainda alguma coisa. Eis por que, em 1960, empreendeu uma viagem a Ushuaia, na Terra do Fogo (Argentina), a cidade mais austral do mundo.  Registrava-se, assim, como a primeira aviadora a realizar tamanho feito. Ela e ‘Brasil’, sua aeronave Cessna, somente pararam de voar, quando Ada Rogato não conseguiu obter um avião mais potente, a fim de aprofundar seus recordes.

‘Ada Rogato, uma  vida com a cabeça no céu’. Bico de pena de um  talentoso professor de inglês que se assina ‘Um Artista sem Pena”. Ada Rogato em 1950

A aviadora brasileira Ada Rogato (foto) recebeu medalhas, prêmios, condecorações e comemorações e foi recebida por governantes e altas patentes militares inclusive da Europa, mas para se manter precisou se empregar como funcionária pública. Ada Rogato foi a primeira mulher, no Brasil, a receber a Comenda Nacional de Mérito Aeronáutico, no grau de cavalheiro, a Comenda Asas da Força Aérea Brasileira e o título da FAB de Piloto em Honoris Causa.

Ada também se destacou pelas acrobacias aéreas , mas voava em aeronaves de pequeno porte — e ao contrário de outras famosas aviadoras sempre sozinha. E graças às suas proezas, sua fama nacional e internacional cresceu a partir dos anos 1950.

Ada e o monomotor com matrícula PT-ADV, no Museu da Aeronáutica e Espaço – SP


(1) Foto de Ada Rogato dedicada à aviadora brasileira Thereza de Marzo – 1944. (2) Ada Rogato tinha por hábito de levar a bordo a imagem de uma santa.

Reportagem com Ada Rogato

Documentário com Ada Rogato

_________________________________________________________________________________

Clique aqui e conheça nossa livraria virtual


3 comentários - Comente este post


Faro

Irenio de Faro

Marie-Louise Driancourt – França

Apesar de pioneira do ar, poucos registros há sobre Marie-Louise Driancourt, inclusive no Museu do Ar em le Bourget.  Sabe-se que nasceu em Lyon, em dezembro de 1887 e que se casou com Monsieur Driancourt, de Paris, com quem teve três filhas.  Sua licença de voo, de número 525 foi-lhe concedida em 15 de junho de 1911, pilotando um Caudron.

Marie-Louise é homenageada  com  a emissão de um selo postal francês



Apesar de fácil manejo, a aeronave pregou algumas peças a Marie Louise, forçada a pousar em praias da região, quando sofreu ferimentos leves.  A piloto francesa participou de certames e demonstrações na França e Espanha, ganhando elogios por seu arrojo.

Para o infortúnio de Marie-Louise seu marido, que financiava suas atividades aéreas, faleceu num acidente de automóvel, em começos de 1912, deixando-a com três filhas menores. Para completar, a piloto, em 9 de março de 1912, caiu com  sua aeronave, fazendo com  que abandonasse em definitivo as atividades aéreas. Marie-Louise  morreu tuberculosa, segundo alguns, mas como sua  biografia é falha, não há como confirmar isso.

Jean Gardner Batten  - Nova Zelândia


Jean Gardner Batten (15 setembro 1909 – 22 novembro 1982) (foto) nasceu na localidade de Rotorua, e notabilizou-se, na década de 1930, por vários recordes,  no mundo, dentre os quais, em  1936, ligando  em voo solo,  Nova Zelândia a Inglaterra. Faleceu em Palma de Majorca, no dia 22 de novembro de 1982,  com 73 anos, vitimada por complicações decorrentes de uma mordida de cão.   Brevetou-se em 1932 na Inglaterra.

Elly Beinhorn  - Alemanha

A piloto alemã Elly Rosemeyer-Beinhorn (Hannover, 30 maio 1907 – Ottobrunn, 28 novembro 2007) ficou famosa por seu giro de 7.000 quilômetros sobre a África, no período de 4 de janeiro a 29 de abril de 1931. A foto mostra Elly no dia de seu casamento com o tcheco-eslovaco Bernd Rosemeyer.

Na América do Sul, Elly esteve no Peru e no Chile e após sobrevoar os Andes, excursionou por Argentina e Brasil. O feito lhe valeu a conquista da Taça Hindenburg.

Elly ficou viúva em novembro de 1937 quando o marido, com  quem teve um filho,  faleceu num acidente automobilístico. Mas se  casou em 1941, em segundas núpcias,  com  dr. Karl Wittman. Morreu com 100 anos de idade.

MARGA VON ETZDORFALEMANHA

Margarete (Marga) von Etzdorf (Spandau, Alemanha,  10. agosto 1907 -  Aleppo, Síria, 28 maio 1933),  (fotos), aviadora  alemã, decolou de Berlim para um voo solo a Tóquio, Japão, quando percorreu 11 mil quilômetros com paradas em Moscou, Kasan, Omsk, Irkutsk, Seul e Hiroshima.

Ao regressar  sofreu um leve acidente em Bangcoc e desgostou-se tanto com o fato que se suicidou em Aleppo, na Síria.

AMY H. JOHNSON – INGLATERRA

Amy Johson (fotos) nasceu em Kingston-upon-Hull, no dia 10 de julho de 1903.  Em 1929 conseguiu licença de pilotagem, e pouco depois mais duas outras licenças:  de Mecânica e de Navegação. Entre 1935 e 1937 presidiu a Women’s Engineering Society. Em 5 de maio de 1940 ganhou notoriedade ao realizar um voo solo entre Croydon e a Austrália.

Faleceu num domingo – 5 de janeiro de 1941 – de forma dramática porém banal, qual a de trasladar  um bimotor Airspeed  Oxford AS.10, de Prestwick a Kidlington, convertendo-se  na primeira vítima fatal da ATA , quando tinha a seu crédito mais de três mil horas de voo.  Air Transport Auxiliary (ATA) foi uma organização civill  inglesa, fundada durante a II Guerra Mundial, encarregada de, dentre várias tarefas  bélicas, trasladar aeronaves, novas ou reparadas, a partir de fábricas do Reino Unido, para os destinos contratados, excetuando-se apenas navios-aeródromos.

RUTH BANCROFT LAW - EUA

A aviadora americana Ruth Bancrfoft Law (1887-1970) (foto) foi uma vitoriosa pioneira, a ponto de ganhar 9 mil dólares, em 1917, por exibições em voo.  Ruth matriculou-se em junho de 1912 na Burgess Flying School Law solando em 12 de agosto do mesmo ano, comprando pouco depois de Orville Wright sua primeira aeronave, e posteriormente adquiriu um avião Curtiss Pusher.

Em 1916 Ruth estabeleceu  três  recordes de voo entre Chicago e Nova York  e em 1919 teve o privilégio de transportar as primeiras malas postais para as Filipinas.      Dentre outras atividades pioneiras foi a primeira aviadora, no mundo, a executar a acrobacia conhecida por loop the loop e a primeira mulher a pilotar um voo noturno.

Faleceu em San Francisco numa terça-feira, 10 de dezembro de 1970, com a idade de 83 anos.

RUTH ROWLAND NICHOLS - EUA

Ruth Rowland Nichols (Nova York, 23 fevereiro 1901 – Nova York, 25 setembro 1960), (fotos), aviadora pioneira americana foi a única mulher,  no gênero, a estabelecer três importantes recordes em voo:  velocidade, altitude e distância.

Ao cursar o Segundo Grau, Ruth tomava aulas de pilotagem, às escondidas, e logo após obter sua licença de voo, tornou-se também a primeira mulher, no mundo, oficialmente habilitada a pilotar hidroaviões.

Em seu primeiro feito, efetuou com Harryn Rogers, na qualidade de co-piloto, o primeiro voo Nova York-Miami, sem escalas.  Devido a seu status social aristocrático – o pai era um inflluente corretor da Bolsa de Valores – , a mídia logo a apelidou de Aviadora Debutante, título que ela detestava. Compenetrada e competente, Ruth estabeleceu na década de 1930 vários recordes.  Infelizmente, contudo, tentou atravessar o Oceano Atlântico, em voo solo, em junho de 1931, mas se acidentou em New Brunswick, no Canadá, sofrendo graves ferimentos, dos quais se recuperou devidamente.

Seus mais importantes feitos para aviadoras foram: outubro de 1931,

recorde de distância em voo sem escalas, entre Oakland (Califórnia) e Louisville (Kentucky), nos EUA, com 1.977 milhas (3.182 km);  14 de fevereiro de  1932, recorde de altitude pilotando um Lockheed Vega, uma aeronave a Diesel, no aeroporto Floyd Bennett, Estado de Nova York, quando atingiu 19.928 pés (6.074 m) de altitude.  E em 29 de dezembro do mesmo ano, Ruth foi a primeira aviadora de linha  aérea voando a serviço da transportadora New York and New England Airways.

Finalmente, em 1958, com a permissão da Força Aérea Americana, Ruth voou como co-piloto num TF-102A Delta Dagger, alcançando uma velocidade de 1.000 milhas horárias (1.600 km/h) e uma altitude de 51.000 pés (15.545 m).  E isso aos 57 anos de idade …

A aviadora Ruth teve uma morte melancólica, em 25 de setembro de 1960, em sua casa de Nova York, ao falecer devido a uma overdose de  barbitúricos para combater uma forte depressão.  Foi sepultada no Cemitério de Woodlawn, no bairro nova-iorquino de Bronx.  Tinha 59 anos de idade.

HARRIET QUIMBY- EUA

Jornalista, atriz, roteirista de cinema e aviadora, a irrequieta americana Harriet Quimby foi a primeira mulher, no mundo, a atravessar em voo solo o Canal da Mancha.  Harriet ostentou um título a mais, qual o de primeira aviadora americana.

Harriet (foto) nasceu em Michigan (EUA) em 11 de maio de 1875 e faleceu em 10 de julho de 1912.

Harriet voou solo em 10 de agosto de 1911, obtendo do Aero Clube da América, o brevê de No. 37.  Curiosamente, ela foi a primeira aviadora dos Estados Unidos e a segunda, no mundo inteiro, após o licenciamento da Baronesa de La Roche.  Matilde Moisant foi a segunda mulher brevetada no território americano.

Em fins de 1911, Harriet Quimby desejou ser a primeira aviadora a cruzar o Canal da Mancha em voo solo, sucedendo a outra mulher, Treawke-Davis, que já o fizera, todavia como passageira.

Em março de 1912, temendo que qualquer outra aviadora lhe passasse a perna, rumou secretamente para a Inglaterra onde conseguiu que o aviador francês Louis Blériot, pioneiro do cruzamento do canal, pelo ar, em 1909, lhe emprestasse uma aeronave monoplana de 50 cavalos de força.

Assim, em 16 de abril de 1912, Harriet fez o percurso inverso ao de Louis Blériot, decolando de Dover, na Inglaterra, de madrugada.  O tempo estava bastante enevoado e isso fez com que a aviadora confiasse basicamente na bússola.

O fato foi que, cerca de uma hora mais tarde, Harriet pousou em Calais, na França, após percorrer as trinta milhas do percurso, Harriet Quimby tornava-se a primeira aviadora, no mundo, a cruzar pelo ar o Canal da Mancha.

Visto que o transatlântico Titanic naufragara poucos dias antes, o feito de Harriet mereceu meramente, na mídia impressa, um discreto registro nos Estados Unidos e na Inglaterra.

Harriet morreu prematuramente, com apenas 37 anos de idade, em 10 de julho 1912, ao pilotar em companhia do empresário William Willard organizador do Terceiro Encontro Anual de Aviação de Boston, em Squanton, Estado de Massachusetts.

Ocorre que a uma altitude de 1.500 pés (460 m) seu Blériot para dois assentos, novinho em folha, picou inesperadamente, lançando seus ocupantes no espaço, daí sobrevindo o óbito dos dois e a queda da aeronave, com perda total.

A finada aviadora foi sepultada no Cemitério Woodawn, no bairro de Bronx, em Nova York, todavia um ano depois seus restos  mortais foram trasladados para o Cemitério Kensico,  em  Valhalla, Nova York.

Fontes:

http://www.pilotos-muertos.com/2012/Amy%20Johnson.html

http://en.wikipedia.org/wiki/Air_Transport_Auxiliary

http://en.wikipedia.org/wiki/File:Law-Ruth_001.jpg

http://www.ctie.monash.edu.au/hargrave/law.html

http://en.wikipedia.org/wiki/Ruth_Rowland_Nichols

___________________________________________________________________

Clique aqui, e conheça nossas promoções de Natal!


1 comentário - Comente este post


Faro

Irenio de Faro

As mulheres também se destacaram na Aviação, como as que focalizamosneste seriado. A começar por Elisabeth Thible (França), Bessie Coleman (EUA), Carina Negrone (Itália), Sophie Blanchard (França), Anésia Pinheiro Machado (Brasil), Rosina Ferrario (Itália), TadashiHyodo (Japão), Thereza de Marzo (Brasil) e Elly Beinhorn (Alemanha).

Elisabeth Thible – França


Em 4 de junho de 1784, a francesa madame Elisabeth Thible, de Lyon, é a primeira mulher no mundo a subir num balão. Consta que teria efetuado um corajoso voo com a duração de 45 minutos, utilizando-se de um balão Montgolfier, igual ao da gravura ao lado. O artefato foi pilotado por Sr. Fleurant, artista plástico apaixonado por balonismo. Elisabeth fez um único voo, ainda assim ganhou o título de pioneira.

Elizabeth ’Bessie’ Coleman – EUA


Elizabeth ’Bessie’ Coleman(Atlanta, 26 de janeiro de 1892 – Jacksonville, 30 de abril de 1926) foi uma aviadora americana: a primeira afrodescendente a conseguir uma licença de pilotagem, não apenas nos Estados Unidos, mas no mundo inteiro.
Bessie foi a décima de uma prole de 13 filhos do casal George e Susan Coleman, ele agricultor e descendente de índios Cherokee. A infância foi muito difícil: a menina tinha que caminhar seis quilômetros todos os dias a fim de frequentar a escola. Para completar, o pai, cansado da discriminação reinante no Texas, abandonou a família e mudou-se sozinho para Oklahoma.
Em 1915, em Chicago, com 23 anos, Bessie tentou matrícula numa escola de pilotagem, mas fracassou por dois motivos: era negra, e ninguém queria dar aulas de voo a uma mulher.
Para sua sorte, ela encontrou apoio em Robert S. Abbott, fundador e impressor do jornal Chicago Defender, e no banqueiro Jesse Binga, que financiaram sua viagem para a França, onde tomou aulas de pilotagem, solou numa aeronave biplana Nieuport 82 e em 15 de junho de 1921 tornou-se a primeira mulher afrodescendente americana e no mundo todo a conseguir uma licença de voo expedida pela Fédération Aéronautique Internationale.Decidida a aprimorar sua técnica, Bessie frequentou aulas extras por mais dois meses e por fim, em setembro de 1921, retornou a Nova York, onde se tornou uma grande sensação nos Estados Unidos.
A fim de ganhar a vida em exibições aéreas, Bessie necessitava de treinamento, mas esbarrou novamente no preconceito americano, pois não conseguiu quem a treinasse. Voltou então a Paris, onde treinou durante dois meses e em seguida tocou para a Holanda, para conhecer o pioneiro projetista Anthony Fokker. Depois, Bessie viajou para a Alemanha, para um treinamento especial com o piloto-chefe da Cia. Fokker naquele país. Devidamente instruída e confiante, Bessie lançou nos Estados Unidos uma vitoriosa carreira de exibições aéreas.

Apelidada de Rainha Bessie, a aviadora reinou por cinco anos seguidos, sendo convidada para importantes eventos e entrevistas na mídia, virtualmente apreciada por brancos e negros.
O grande sonho da aviadora era o de fundar uma escola de pilotagem para negros, mas a morte surpreendeu-a prematuramente, impedindo-a de concretizar seu desejo.
Em 30 de abril de 1926, em Jacksonville, Estado da Flórida, voando em companhia de seu mecânico e agente publicitário William Wills, numa aeronave Curtiss JN-4, recentemente comprada, Bessie não afivelou seu cinto de segurança, pois pretendia saltar de paraquedas no dia seguinte e precisava examinar a área. Ocorreu então o imprevisível: a aeronave picou de repente e, em vez de se recuperar, entrou em parafuso, ocasião em que Bessie foi projetada no espaço, a uma altitude de 2.000 pés (610 m), sofrendo morte instantânea ao atingir o solo. A inesperada manobra vitimou também o mecânico William Wills, que não conseguiu controlar a aeronave presa em chamas ao se chocar com o chão.
Apesar de o avião ter ficado bastante queimado, especialistas da Perícia descobriram que uma chave metálica usada para reparar o motor deslizara para a caixa de marchas, travando-a. Bessie tinha apenas 34 anos.

A partir de 2 de maio de 1926, o corpo de Bessie Coleman foi velado por mais de 5 mil pessoas em Jacksonville, três dias depois em Orlando, também no Estado da Flórida e finalmente em Chicago, onde aconteceu o sepultamento no Cemitério Lincoln. Estima-se que cerca de 10 mil pessoas teriam participado do velório
O impacto da morte da aviadora negra, nos Estados Unidos, foi fantástico. Em 1927 inúmeros aeroclubes foram criados com seu nome no território americano. No Dia do Trabalho, em 1931, esses clubes promoveram a primeira e exclusiva Mostra Aérea de Aviadores Afrodescendentes Americanos, a qual atraiu um público de 15.000 espectadores. Nesse mesmo ano, um grupo de pilotos negros fez uma revoada sobre o túmulo de Bessie Coleman no Cemitério Lincoln, e o nome da falecidaaviadora apareceu em diversos edifícios no bairro negro de Harlem, em Nova York.
Para completar, a Federal AviationAdministration (FAA) batizou com seu nome a sala de reuniões do 20 andar; em 1990, o prefeito de Chicago rebatizou, também com o nome de Bessie, a antiga estrada Old Mannheim Road, que faz ligação com o Aeroporto O’Hare, e em 1992 decretou o 2 de maio como o Dia de Bessie Coleman.
Homenagens e reconhecimento de uma sociedade machista e discriminadora em termos étnicos como a americana.

Carina Negrone -Itália


A condessaCarina Negrone (Bogliasco, 20 junho de 1911 – 19 março de 1991) foi uma aviadora italiana. Formou com Rosina Ferrario a primeira dupla de aviadoras da Itália.
Casada com Ambrogio Negrone, com quem teve um filho, Vittorio, teve a primazia de ter sido a primeira mulher, em 1933, a receber um brevê outorgado pela Reale Unione Nazionale Aeronautica (Runa).
Grande desportista, praticava tênis e esquis, além de pesca e caça, mas preferia a arte de voar, sua maior predileção.
Em 5 de maio de 1934, Carina estabeleceu seu primeiro recorde, ao voar, num hidroplano Classe C, a uma altitude de 5.544 m. Um ano mais tarde, em 20 de junho de 1935, a condessa Carina Negrone quebrou o próprio recorde, ao pilotar um biplano Caproni Ca-113 a uma altitude de 12.010 m (39,400 ft), além de estabelecer uma nova marca mundial para voo invertido.
Muito tempo depois, em 19 de junho de 1954, Carina voou no Egito, de Brescia a Luxor, 2.987 km, em 13 horas e 34 minutos, a uma velocidade média de 299 km/h, batendo o recorde do americano Gen. Andrews em 1936.
Consta que Carina teve, a seu crédito, sete recordes mundiais diversos. Um outro feito seu foi ter participado de um de três grupos de pilotos italianos que efetuaram um giro aéreo pela Argélia. Pilotando uma aeronave Aermacchi MB.308, em companhia da aviadora Ada Marchelli, sobrevoaram, em 1951, um total de 6.000 quilômetros de deserto.
Em 1996 os correios italianos homenagearam Carina com a emissão de um selo postal.

Sophie Blanchard França

Sophie Blanchard (25 de março de 1778 – 6 de julho de 1819) foi uma aeronauta francesa, esposa do balonista pioneiro Jean-Pierre Blanchard.Sophie ficou notória como a primeira profissional, no mundo, a se dedicar ao balonismo, atividade que continuou a exercer mesmo após a morte do marido, quando efetuou mais de 60 subidas.
Conhecida em toda a Europa por suas explorações balonistas, Sophie impressionou Napoleão Bonaparte, que a nomeou com o título de ‘Aeronauta dos Festivais Oficiais’, em substituição a André-Jacques Garnerin. Mais tarde, com a restauração da monarquia, em 1814, ela se exibiu para o rei Luís XVIII, que lhe outorgou o título de ‘Aeronauta Oficial da Restauração’.
O balonismo, pelo menos para os pioneiros, era um expediente arriscado. Sophie perdeu a consciência em algumas ocasiões, suportou temperaturas abaixo de zero e por pouco não se afogou quando seu balão se despencou sobre um pântano. Finalmente, em 1819, foi a primeira mulher, em nível mundial, a morrer num acidente aéreo. Durante uma exibição nos Jardins Tivoli, em Paris, acendeu fogos de artifício que atingiram o gás de seu balão, o qual caiu sobre o telhado de uma casa.
Curiosamente, embora tenha sido mais conhecida por Madame Blanchard,havia quem a ela se referisse pelos nomes de Madeleine-Sophie Blanchard, Marie Madeleine-Sophie Blanchard, Marie Sophie Armant e Madeleine-Sophie ArmantBlanchard.

ANÉSIA PINHEIRO MACHADO – Brasil


A pioneira aviadora Anésia Pinheiro Machado 1904-1999 merece destaque na aviação brasileira. Seu nome rompeu fronteiras, ficou famoso fora do País. A carreira da aviadora, no entanto, começou por acaso. Com apenas 16 anos e morando em Itapetininga, pequena cidade paulista, num dia qualquer do ano de 1920, ela se dirigiu ao acanhado aeroporto local para assistiràs notáveis acrobacias aéreas de Orton Hoover, piloto americano que excursionava pelo Brasil para demonstrar o que alguém é capaz de fazer com um avião. Inevitavelmente, uma novidade! A exibição fez tanto sucesso, que o piloto foi convidado a cumprimentar a multidão que o aplaudia com entusiasmo.

Havia, contudo, um problema: como o americano não falava Português, o jeito foi apelar para Anésia, que aprendera Inglês numa escola particular em São Paulo. A jovem, apesar de sua pouca ou nenhuma experiência, saiu-se muito bem. Entusiasmado e agradecido, o piloto Hoover convidou-a para um pequeno voo na sua aeronave. Começou, assim, a incrível carreira aeronáutica de Anésia.

Do acaso feliz para o sucesso foi um pulo. Em 1921, um ano depois de seu primeiro voo, voltou o destino a interferir a favor da jovem Anésia. Um piloto militar brasileiro, o cap. José Busse, teve problemas com seu motor, ao sobrevoar Itapetininga, sendo obrigado a pousar ali. Logo que a notícia se espalhou, ela correu para o aeródromo, pondo-se a espiar o conserto do motor; quando este ficou pronto, o capitão convidou-a para um teste em voo. Busse sugeriu-lhe, então, que tirasse sua licença de pilotagem.

Mas havia ummonte de problemas. Para começar, Anésia não tinha dinheiro para as aulas, mas o capitão daria um jeito. Bastava procurar um seu irmão, também militar, em São Paulo, que com toda a certeza não lhe negaria ajuda. Para azar da moça, Busse morreu no dia seguinte, quando seu avião se espatifou no chão, logo após decolar. O acidente, claro, afetou Anésia, mas com o tempo ela se deu conta de que nascera para voar, e de nada lhe adiantaria contrariar o destino. Os problemas eram quase insuperáveis. Em primeiro lugar, a falta de fundos para a licença de piloto. Para completar, o preconceito de uma sociedade machista que dizia, abertamente, que voar era coisa somente para homens.

Primeiro brevê
Disposta a enfrentar tudo e todos, a jovem partiu para São Paulo, onde arranjou um emprego de tradutora e, uma vez instalada, tratou de procurar o irmão do cap. Busse, que a apresentou ao ten. Reinaldo Gonçalves, o qual, todavia, não se animou muito com a ideia de instruí-la. Sem outro recurso, Anésia insistiu tanto que, por fim, no dia 21 de dezembro de 1921, realizou seu primeiro voo como aluna. E, em 9 de abril de 1922, recebeu o brevê da Federação Aeronáutica Internacional.

Anésia fez seu primeiro solo em março de 1922, pilotando um Caudron-3,e depois saiu fazendo demonstrações de voo acrobático pelas cidades paulistas à beira-mar.
Ainda em 1922, Anésia granjeou fama ao se tornar a primeira brasileira a efetuar um voo interestadual: uma inesquecível viagem, entre São Paulo e Rio de Janeiro, que durou quatro dias.

Anésia Pinheiro Machado é o que se pode chamar de uma mulher do mundo, visto que ganhou diplomas de cidadã-honorária em Salissaw, Oklahoma, Keokuk, Iowa, Baton Rouge e Louisiana – tudo isso nos Estados Unidos – além de um título muito importante, o de cidadã honorária de Atchinson, Estado do Kansas, onde nasceu outra grande aviadora, AmeliaEarhart, venerada na América. Em sua peregrinação aérea pelos caminhos do mundo, Anésia tirou licenças de pilotagem em vários países estrangeiros como México, Costa Rica, China, Argentina, Paraguai e Uruguai. E, em matéria de medalhas, ganhou inúmeras do Brasil, França, Peru, Venezuela, Alemanha, Chile e Estados Unidos.

Durante a II Guerra Mundial, o governo americano convidou Anésia para um curso de treinamento avançado de pilotagem no Standardization Center da CAA (hoje Federal AviationAuthority, FAA), em Houston, Texas. Foi a única mulher brasileira a receber esse tipo de convite, ganhando assim homologação para voos por instrumentos (IFR), qualificando-se como piloto comercial, instrutora de voo em link trainer– espécie de simulador muito utilizado à época.
Após formar-se em Houston, Anésia empregou-se na Pan American, na cidade de Nova York, como instrutora de link e, ao retornar ao Brasil, foi contratada pela empresa brasileira de transporte aéreo Panair e depois pela Força Aérea Brasileira, com a mesma função.
Mais tarde, em 1951, foi também a primeira mulher, do Brasil, a pilotar com sucesso seu avião num voo intercontinental. Entusiasmada com a política de boa vizinhança adotada pelo então presidente americano Franklin Delano Roosevelt, a jovem brasileira resolveu realizar um voo entre Nova York e o Rio de Janeiro. Sem recursos ou qualquer patrocínio, Anésia vendeu o apartamento onde morava e, em Nova York, comprou uma aeronave Ryan Navion Super 260 (foto). Na capital dos Estados Unidos, Washington, ela se dirigiu à Organização dos Estados Americanos (OEA), falou sobre seus planos e recebeu do presidente daquela organização, Alberto Lleras Camargo, da Colômbia, várias mensagens de boa vontade dirigidas aos presidentes dos países por onde deveria passar. Inevitavelmente, houve problemas na viagem. Anésia tinha, por exemplo, de cruzar a fronteira entre Chile e Argentina, operação que realizou com sucesso, apesar do mau tempo.
Desde sua aposentadoria, Anésia dedicou-se a promover, de todas as formas, seu grande ídolo – Alberto Santos-Dumont. Foi graças a Anésia que Santos-Dumont é hoje nome de uma cratera na Lua, uma iniciativa apoiada pela Nasa e pelo Museu Aeroespacial do Instituto Smithsonian, de Washington, DC. Graças a Anésia, também, o inventor brasileiro ganhou espaço especial na Galeria da Fama do Aeroporto Internacional de San Diego, na Califórnia (EUA), e no Museu dos Transportes em Tóquio, Japão. Pouco antes de falecer, aos 93 anos, Anésia concedeu sua última entrevista para a filmagem de um documentário sobre sua vida intitulado Anésia, Um Voo no Tempo.
Anésia morreu em 10 de junho de 1999, no Rio de Janeiro. Após a cremação de seu corpo, suas cinzas foram depositadas no Museu Santos Dumont, na fazenda Cubangu, no município de Santos Dumont (MG).

ROSINA FERRARIO – Itália

RosinaFerrario (Milão, 28 de julho de 1888 – 3 de julho de 1957) foi a primeira mulher italiana a se brevetar como piloto. Em 3 de janeiro de 1913, em VizzolaTicina, conquistou o brevê de número 203.

TADASHI HYODO – Japão

TadashiHyodo foi a primeira mulher japonesa a conseguir, em 1922, uma licença de pilotagem.

THEREZA DE MARZO – Brasil

Thereza de Marzo (São Paulo, 4 de agosto de 1903 – São Paulo, 9 de fevereiro de 1986)
recebeu, em 8 de abril de 1922, em São Paulo, brevê de aviadora. Foi a primeira mulher, no País, a conquistar uma licença de pilotagem.
Seu brevê tinha o número 76 (ver abaixo), e ela voou solo numa aeronave Caudrom G3.

ELLY BEINHORN – Alemanha


Elly Beinhorn-Rosemeyer (Hannover, 30 de maio de 1907 – Ottobrunn, 28 denovembro de 2007) foi destacada aviadora alemã, casada com BerndRosemeyer (1909-1938).
Em 1928, após assistir a uma palestra do famoso aviador alemão Hermann Köhl, que completara recentemente, pelo ar, a histórica travessia Leste/Oeste do Oceano Atlântico, Elly teve seu interesse voltado para a Aviação.
Aos 21 anos de idade, aplicando os fundos de uma pequena herança e mesmo com a oposição da família, mudou-se para Spandau, em Berlim, onde se matriculou num curso de pilotagem, no aeroporto Staaken, na capital alemã, sob o monitoramento do instrutor Otto Thomsen. Conseguiu se brevetar pilotando uma aeronave Klemm KL-20, mas, quando o dinheiro escasseou, aconselharam-na a executar acrobacias aéreas, o que resolvia seu problema financeiro mas deixava-a frustrada. Sua paixão era, na verdade, voos de longa distância.
Por fim, em 1931, Elly empreendeu um voo a Guiné-Bissau, uma colônia portuguesa na África, fazendo parte de uma expedição científica. No regresso, contudo, devido a uma pane de motor, caiu com sua aeronave no deserto do Saara, onde, com a ajuda de nômades tuaregues, seguiu no lombo de um camelo até Timbuktu. Pouco tempo depois Elly voltou ao local do desastre a fim de recolher algumas peças do avião sinistrado. Nesse ínterim, o governo francês, ao tomar conhecimento do fato, despachou uma aeronave de dois lugares para resgatá-la.
Posteriormente, saiu em nova excursão, mas seu monoplano Klemm sofreu pane mecânica perto de Bushire, na antiga Pérsia, onde Elly conheceu o piloto MoyeStephens que a ajudou a reparar a aeronave. Na ocasião, Stephens e o escritor de romances de aventuras Richard Halliburton efetuavam uma volta ao mundo num avião biplano Stearman C-3B, batizado com o nome de FlyingCarpet (Tapete Voador). A aviadora se juntou àdupla, inclusive num voo ao Monte Everest.
Elly voou também para Bali e Austrália, tendo sido a segunda mulher, depois de Amy Johnson, a efetuar um voo solo da Europa à Austrália. A carreira de Elly sofreu percalços diversos. Em Darwin, norte de Austrália, teve aeronave desmontada para posterior remontagem no Panamá, de onde Elly partiu para um giro pela América do Sul.
Elly enfrentou mais uma pane numa malfadada travessia dos Andes e por causa disso desmontou novamente a aeronave, que foi despachada para o Brasil, de onde seguiu para a Alemanha. A aviadora retornou a Berlim em julho de 1932.

Elly chegou a contrair uma dívida acima de 15 mil marcos, apesar de famosa, e foi salva ao ganhar a Taça Hindenburg, no valor de 10 mil marcos. Esse e outros prêmios em dinheiro concedidos pela indústria aeronáutica alemã permitiram que a aviadora continuasse na carreira. A fim de angariar fundos para seus projetos, Elly prosseguiu escrevendo e vendendo artigos para jornais e revistas, além de fotos de suas viagens.
Livre da dívida, tocou para a África num Heinkel He 71, percorrendo na ida a costa leste e, na volta, a oeste. Um ano depois, despachou sua aeronave para o Panamá e voou para o México e a Califórnia, cruzando os Estados Unidos em várias direções.Em janeiro de 1935 Elly voltou, por via marítima, para a Alemanha. Era incontestavelmente uma vitoriosa, uma heroína.

O especial Mulheres na Aviação e no Espaço continua na próxima semana!

_________________________________________________________

Clique aqui, e conheça nossa livraria virtual!

1 comentário - Comente este post


Por acaso você sabe como funciona a ejeção de um piloto?

1. Em uma situação de conflito, quando a aeronave é alvejada por um caça inimigo, por exemplo, o piloto decide sozinho quando ejetar – não há nenhum aviso vindo do painel. Ele então puxa uma alavanca conectada ao assento, dando início ao processo de ejeção

2. Logo que a alavanca é acionada, um sistema na parte de trás do banco, chamado de catapulta, dá o impulso inicial da ejeção utilizando ar pressurizado e os trilhos conectados à fuselagem do avião. Quando a catapulta é ativada, o banco do piloto desliza para cima por meio desses trilhos

3. Ao mesmo tempo em que a catapulta age, a alavanca aciona um mecanismo de retração das alças ao redor das pernas do piloto. Essas alças, que ficam folgadas enquanto não há ejeção, seguram as pernas do piloto junto ao banco, evitando que elas se choquem contra alguma parte do avião na subida

4. O teto de acrílico em cima do banco do piloto, o canopi, é disparado para fora automaticamente quando a alavanca é puxada, geralmente com a explosão dos parafusos que o prendem à aeronave. A força da corrente de ar se encarrega de tirar o canopi do caminho do assento

5. Após o impulso inicial da catapulta, dois foguetes são acionados embaixo do banco. São eles que movem o assento para fora do avião, podendo subir a até quase 60 m acima da aeronave, dependendo do modelo do banco e do peso do piloto. Os foguetes usam como combustível uma mistura de compostos químicos sólidos, de alumínio a carvão, dependendo do modelo

6. Atrás do banco, há um sensor de velocidade e altitude que calcula a hora certa de soltar os dois paraquedas. Se o piloto estiver em uma altitude acima de 4 500 m, o sistema atrasa o lançamento. Se velocidade e altitude forem muito baixas (menos de 460 km/h e de 3 500 m), não há tempo de soltar o paraquedas estabilizador, e só o principal é liberado

7. Guardados em um compartimento atrás da cabeça do piloto, os paraquedas são puxados para fora por um projétil atirado para cima. O paraquedas estabilizador mantém a posição vertical do assento, enquanto o principal suaviza a queda. As alças do artefato principal ficam presas ao piloto desde a decolagem, servindo como cinto de segurança

8. Ao se aproximar do solo, o piloto aciona um comando manual que afrouxa as travas que o prendem ao assento, deixando o banco cair, mas mantendo um kit de sobrevivência que ficava preso ao banco por uma corda. O kit tem material de primeiros socorros e um bote inflável, que é usado caso a queda seja sobre a água e abre automaticamente.

Imagens incríveis mostram o momento exato de uma ejeção de um CF-18 no Canadá.

Fonte:

Informações do Engenheiro Paulo Lobo do site: Mundo Estranho

Fotos mandadas por e-mail do leitor Mário Vinagre

________________________________________________

Confira nossa livraria virtual!

Comente este post




Somos Editora | Av. Dr. Adhemar de Barros, 1817 | São José dos Campos | SP | Fones: 12 3322-9113 / 3322-9114 | email: contato@somoseditora.com.br