Livro revela bastidores do desenvolvimento de São José dos Campos antes de virar a “Capital do Avião”

Livro revela bastidores do desenvolvimento de São José dos Campos antes de virar a “Capital do Avião”

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A trajetória de desenvolvimento urbano, econômico, tecnológico e cultural de São José dos Campos, especialmente entre as décadas de 1930 e 1940, é tema do livro “A Primeira Voz da Cidade”, do jornalista e escritor Ricardo Santos. A obra destaca ainda a preparação do município do Vale do Paraíba paulista para se transformar na “Capital do Avião”.

O título faz referência à emissora pioneira do rádio joseense, a P.L.1, criada em 1937 para informar, divertir e apoiar a população a partir de um sistema de alto-falantes instalado na região central da cidade. A estação transmissora é o fio condutor dessa história que se passa durante o período de censura do Estado Novo (1937-1945), instalado pelo presidente Getúlio Vargas.

Publicada pela Somos Editora, a obra reúne personagens, cenários e acontecimentos pouco conhecidos que contribuíram para a influência cultural e o processo de transformação da cidade, que deixou de ser referência no tratamento da tuberculose para se consolidar como um dos principais polos de inovação e sede de um dos maiores complexos aeroespaciais do mundo.

“São José dos Campos ficou à margem do desenvolvimento que a maior parte da região viveu durante o período Imperial e da República Velha, mas o jogo começou a mudar em meados da década de 1930”, lembra o autor. “Enquanto a cidade recebia recursos e preparava bases sólidas para se tornar um polo tecnológico, a emissora de alto-falantes exercia a função social de entreter e informar a população”, complementa. 

O Brasil iniciava naquele momento profundas mudanças diante da crise econômica e conflitos globais, ao mesmo tempo que identificava cidades estratégicas para receber investimentos que levariam a um novo ciclo de crescimento do país. São José dos Campos foi um dos municípios paulistas mais beneficiados pelas novas políticas de Estado. 

Por intervenção estadual, um decreto assinado em 1935 transformou a cidade em uma estância climática e hidromineral, e a gestão municipal passou a ser realizada por prefeitos sanitários nomeados para administrar as verbas destinadas à reorganização urbana, higiene pública e modernização. O período deixou como legado obras de infraestrutura, projetos educacionais, indústrias e um ambiente propício para o desenvolvimento do conhecimento aeronáutico.

O livro mostra que São José dos Campos passou a ser considerada uma área estratégica para receber um campo de aviação, e obteve apoio do então Ministério da Aviação, que concedeu em 1939 equipamentos destinados à construção da pista de pouso, com base na Campanha Nacional da Aviação para formação de pilotos. Em 1942, após torpedeamentos de navios brasileiros e a entrada oficial do Brasil na Segunda Guerra Mundial, o aeroclube da cidade colocou a frota de aviões à disposição para vigilância aérea do litoral norte paulista.

A privilegiada geografia do eixo Rio-São Paulo, com largos campos e protegida no horizonte pelas serras do Mar e da Mantiqueira, fazia do município joseense um lugar elegível aos investimentos para uma base aérea. Essa constatação já era pública e defendida por Alberto Santos-Dumont, que no seu livro “O que eu vi, o que nós veremos”, escrito em 1918, destacava que as boas condições topográficas e atmosféricas da região às margens da ferrovia Central do Brasil ofereciam o ambiente ideal para se instalar uma escola de aviação. 

Em 1945, as negociações entre o Ministério da Aeronáutica e a prefeitura municipal chegaram a um entendimento final para a instalação do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) em um terreno junto ao campo de aviação. A frente do projeto estava o então Coronel Casimiro Montenegro, que realizou visitas técnicas não somente para avaliar o terreno, mas também toda a infraestrutura progressista da nova cidade que surgia. 

Com verba federal aprovada e levantamento topográfico concluído, as obras de terraplanagem e delimitação do espaço doado tiveram início em 1946, em preparação para a construção do projeto arquitetônico de Oscar Niemeyer. O plano de urbanismo elaborado de acordo com as mais recentes inovações da engenharia civil, considerava que o ITA e todas as outras iniciativas de pesquisa e desenvolvimento ficariam dentro de um ambiente maior que se chamaria Centro Técnico de Aeronáutica (CTA).

Ainda em 1946, a maior parte da equipe da emissora de alto-falante – tema central do livro –foi transferida para a recém-inaugurada ZYE-5 Rádio Clube, que recebeu a primeira outorga de concessão de rádio de São José dos Campos, e começou a propagar que, a partir daquele ano, a cidade passaria a ser nacionalmente considerada moderna, tecnológica e terra das boas escolas.  

A pré-venda do livro acontece no site da Somos Editora (A Primeira Voz da Cidade – Somos Editora), antecedendo a noite de lançamento marcado para o dia 26 de junho, a partir das 19h, no Restaurante Amicci, na Av. Anchieta, 225, em São José dos Campos.